Químicos pelo mundo – Sara Gamelas (Bélgica)

 

Nome: Sara Gamelas

Curso: Mestrado em Química

Ano: 2º ano

Local de Erasmus: Liège, Bélgica

Universidade: GIGA – Université de Liège

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[Instituto GIGA localizado no CHU de Liège (hospital)]

 Qual foi a primeira foto que tiraste em Erasmus?

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[Esta foto foi tirada na primeira vez que fui ao centro da cidade de Liége (a minha casa ficava a 10 min de autocarro da cidade) e deparei-me com um dos edifícios mais bonitos da cidade – a ópera. Neste dia a minha colega de casa (belga) decidiu levar-me a conhecer a cidade]

– Em que é que pensaste quando estavas no avião?

Acho que posso dizer que no avião perguntei a mim mesma: será que trouxe roupa quente para este tempo? Será que arranjo pessoal que fala inglês (já que a língua mãe é o francês)? Também comecei a pensar se iria safar-me sozinha num país novo já que era a primeira vez que ficava longe dos meus pais e ainda por cima num país totalmente diferente. Ainda pensei se iria fazer alguma amizade devido à diferença das línguas. Por fim, pensei se a orientadora de estágio seria simpática e se conseguiria safar-me no laboratório.

– Porque escolheste esse país? E essa cidade?

Esta oportunidade surgiu por parte da minha orientadora, mas mal me falaram dessa possibilidade pus-me a investigar. Numa fase inicial estava um bocado assutada porque seria a primeira vez que sairia de casa e ainda por cima para um país diferente, mas quando vi que ficaria no centro da Europa fiquei um pouco mais animada.

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[Restaurante português na cidade de Liège onde até os empregados falam português e que foi o restaurante eleito pelo pessoal do laboratório (onde se encontrava uma portuguesa) para alguns jantares – pelos vistos os Belgas adoram comida portuguesa.]

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[As famosas escadas em Montagne de Bueren (Liège) que têm 374 degraus]

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[Aquário de Liège com uma das pessoas que estudou em Aveiro e que também fez Erasmus em Liège.]

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[Summer beer’ Lovers Festival com a minha colega de casa. Foi a primeira pessoa que conheci a chegar a Liège, que me mostrou a cidade e me deu a conhecer um pouco da cultura belga.]

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[Gent. Por ser o centro da Europa e por ser perto de várias cidades belgas, Gent era uma paragem obrigatória.]

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[Amesterdão. Claro que uma visita a esta cidade não podia faltar.]

– Do que sentiste mais falta na tua nova universidade em comparação com o nosso DQ?

Há algumas coisas que senti falta no departamento como o meu grupo de trabalho e o ambiente que se sentia no bar. Contudo, apesar de fazer falta, nada se compara com as condições de trabalho que me foram oferecidas! O tempo meteorológico não era o melhor (de manhã fazia sol, mas passado dez minutos já chovia) e por isso o que senti mais falta era o sol que apanhava na “meia-lua” com os amigos à hora de almoço ou nas pausas do trabalho.

– Provaste algum prato típico da cidade onde estiveste?

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[Apesar dos gaufres serem típicos da Bélgica existem o gaufre de Bruxelas e de Liége e claro que provei os dois!]

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[Apesar de não ser um prato, a Bélgica é conhecida pelas suas variadas cervejas e para quem não gostava de cerveja, comecei a gostar um bocado.]

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[Boulettes à la liégeoise. Este prato é parecido com almondegas com batatas fritas, mas o molho em que elas são feitas é doce e não salgado. Foi uma boa experiência dado que não é muito usual comer algo doce e salgado ao mesmo tempo]

– Do que é que tiveste mais saudades de Aveiro?

Liége é uma cidade bonita, mas muito fria e chuvosa no inverno. Aveiro tem alguns espaços verdes e os edifícios apresentam variadas cores e em Liége os prédios são quase todos da mesma cor. A universidade em Liége tinha dois pólos: um na cidade e um localizado digamos que no meio de uma floresta onde estava o hospital onde estagiei. Para quem estava habituada a ter a universidade toda junta, ou até mesmo a ter a universidade no centro da cidade, ali foi um bocado diferente. Algo que tive bastantes saudades foi mesmo da comida (na Bélgica é tudo à base de fritos) e, especialmente, a comida da minha mãe. Contudo, do que tive mais saudades de Aveiro foi o facto de me sentir segura. Enquanto estava em Liége ocorreu o atentado em Bruxelas e, apesar de estar a 1 hora de distância, existia sempre algum medo e algum receio de poder acontecer o mesmo em qualquer lado onde estivesse. Para mim foi um bocado estranho ao inicio ver militares nos centros comerciais ou em qualquer sitio onde fosse, mas eram as medidas de segurança aplicadas e com o tempo habituei-me.

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[Memorial em Bruxelas, após o atentado]

– Porquê fazer ERASMUS no teu último semestre do mestrado?

Desde que entrei na universidade que gostava de participar na experiência ERASMUS. Contudo sempre faltou coragem para me candidatar e sempre achei que não era o momento certo. Quando cheguei ao mestrado, achei que a tese seria um bom momento para poder realizar algo fora de Portugal e poder complementar esse trabalho com o trabalho feito no DQ e assim foi. Após falar com a orientadora surgiu esta experiência e apesar de no laboratório não haver muita gente a falar para mim (porque os Belgas não gostam muito de falar), não me arrependo de ter ido.

– Sentes que tens melhores condições para fazer ciência lá?

Definitivamente a ciência lá é muito mais bem financiada que em Portugal. Basta olhar para as condições do laboratório e até mesmo o acesso a certos equipamentos. O processo para obter bolsa de doutoramento é bastante mais fácil que em Portugal, fazendo com que quase toda a gente que trabalhe na área em que trabalhei (cancro) tenha basicamente doutoramento garantido. Isso é devido à existência de várias instituições que angariam fundos para a investigação na área do cancro como é o caso da Télévie.

Como és de mestrado e vais iniciar a tua vida no mundo do trabalho, tens “medo” que o estrangeiro seja a tua próxima casa?

Como é óbvio há sempre aquela preferência de ficar no próprio país por ser onde passamos grande parte da vida. No entanto, devido às circunstâncias atuais, há melhores condições ou até mais oportunidades lá fora. Não se deve ter medo ou receio que o estrangeiro seja a próxima casa, mas encarar isso como uma nova aventura na qual se pode alargar horizontes e aprender novas culturas.

– Uma mensagem a quem não tem coragem de ir de ERASMUS:

Passei três anos com essa falta de coragem e não vale a pena. Não tenhas medo de arriscar porque haverá sempre alguém na mesma situação que tu (Erasmus). É uma boa oportunidade para aprender sobre uma nova cultura e até mesmo sobre outros métodos científicos.

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[Apesar de diferentes nacionalidades, toda a gente sabe ser acolhedora. Os meus colegas de casa a ver um jogo Bélgica-Portugal comigo.]

Essa experiência Erasmus pode tornar-se em algo mais, como me poderia ter acontecido a mim quando me foi oferecida a oportunidade de fazer o doutoramento lá. No entanto, não me foi atribuída bolsa e por isso não terei essa oportunidade. Mas algumas pessoas que estavam no meu laboratório tinham feito Erasmus lá e ficado para o doutoramento e outros para mestrado até. Por isso não há que ter medo de arriscar porque a tua experiência Erasmus pode ser muito mais importante do que realmente é. Podes conhecer pessoas extraordinárias e visitar sítios fantásticos, que não terias oportunidade de o fazer se não fosse o teu Erasmus. Por isso, não tenhas medo e arrisca!

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[Visita a Gent com alguns dos amigos que fiz lá.]

– Uma mensagem a alguém especial de Aveiro:

Gostava de agradecer aos meus pais, porque infelizmente a bolsa Erasmus só chegou para parte da residência e sem eles não seria possível ter essa oportunidade. Claro que também tenho de agradecer às minhas orientadoras que me forneceram esta oportunidade dado que fui a primeira pessoa da Universidade de Aveiro a ir para o instituto GIGA em Liège em Erasmus.

Sara Gamelas