Químicos pelo mundo – Vasco Batista (Reino Unido)

 

Nome: Vasco Batista

Curso: Mestrado em Química, ramo de Química Orgânica

Ano: 2º ano

Local de Erasmus: Manchester, Reino Unido

Universidade: Manchester Institute of Biotechnology, Universidade de Manchester

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 Qual foi a primeira foto que tiraste em ERASMUS?

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[Não foi a primeira mas foi no primeiro dia em Manchester. Ganha pelo cliché!]

– Em que é que pensaste quando estavas no avião?

Foi um misto de emoções positivas. Por um lado o entusiasmo de ir conhecer um novo país e cultura (e um bocadinho também por ir ver a Raquel de novo). Por outro, o nervosismo de todo um novo nível de independência, de ficar longe da família e amigos e de sair da minha zona de conforto para explorar o meu lado “bio”.

– Porque escolheste esse país? E essa cidade?

Na verdade foi ela que me escolheu a mim! A minha orientadora contou-me no ano passado uma experiência que ela tivera neste instituto durante o seu doutoramento e achei fantástico. Então, pedi-lhe para fazer algo semelhante e aqui estou eu. Além disso consigo facilmente aproveitar para visitar outras cidades do Reino Unido!

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[Town Hall, Manchester]

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[Big Ben, Londres]

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[Vista do Liverpool Museum]

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[Reitoria da Universidade de Birmingham]

– Do que sentiste mais falta na tua nova universidade em comparação com o nosso DQ?

Podia dizer que sinto falta dos laboratórios, do espaço do bar ou do ambiente, mas isso não faria justiça ao instituto onde me encontro. As condições são fantásticas, as pessoas muito simpáticas e com um grande espirito de integração e entreajuda. Sendo assim tenho de escolher a meia-lua! Ficar deitado a aproveitar o calor e o sol seria uma enorme melhoria em relação a este tempo bipolar onde tanto faz sol como daqui a 5 minutos está a nevar!

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[Neve a caminho de Londres. Fez sol nessa tarde!]

– Provaste algum prato típico da cidade onde estiveste?

Digamos que a cidade (bem como todo o Reino Unido) não tem uma gastronomia própria mas pertence ao mundo. O que não falta são restaurantes cantoneses, indianos, sul-americanos, italianos… tudo e mais alguma coisa. Já tive a oportunidade de experimentar algumas comidas peculiares (ainda não experimentei o fish and chips porque não é nada apelativo!).

– Do que é que tens mais saudades de Aveiro?

Esta é uma pergunta difícil de responder. Sinto falta da calma de uma cidade pequena, quando comparada com a imensidão que é Manchester. Apanhar o autocarro todos os dias para a universidade, ver mares de gente de todo o mundo todos os dias acaba por ser um pouco cansativo. Sinto também saudades de sair à noite, com as grandes amizades que tenho no DQ. É estranho ir beber pints de cerveja às seis da tarde, acabado de sair do trabalho, e voltar para casa por volta das 11 da noite (a essa hora estaria a sair de casa em Aveiro!).

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[Um exemplo da quantidade de autocarros que circulam no centro… fora de hora de ponta!]

– Porquê fazer ERASMUS no teu último semestre do mestrado?

Por várias razões: pela liberdade de poder escolher o país sem estar restrito a equivalências ou a universidades com acordo; pela oportunidade de poder aprender técnicas novas e que possivelmente não são ainda aplicadas em Portugal; pela liberdade de horários; pela oportunidade de estar em contacto com investigadores de renome e aprender métodos de trabalho novos… enfim, acho que as vantagens relativamente ao Erasmus em outros anos são enormes. No entanto, pode haver algumas desvantagens. Trabalhando num grupo de PhD e Pos-docs, torna-se mais difícil fazer amigos (pelo menos dispostos a ir para a discoteca!) e não partilhas com outros aquela sensação simultânea de “cair de paraquedas” num país novo. Não ter aulas também não ajuda muito nesse aspeto!

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[Festival de cerveja com o grupo do laboratório. Mistura heterogénea de tuga, italiano, polaco, alemã, chinês, uruguaio e alguns ingleses lá para o meio]

    – Sentes que tens melhores condições para fazer ciência aí?

É difícil de comparar dado que passei de um laboratório de Química para um laboratório de Biologia! No entanto, é verdade que aqui as condições de trabalho são excelentes e dinheiro não falta para comprar reagente se tal for necessário! Além disso, o apoio dado a alunos de doutoramento para ir a conferências e formações é excelente.

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[Instituto de Biotecnologia de Manchester]

– Como és de mestrado e vais iniciar a tua vida no mundo do trabalho, tens medo” que o estrangeiro seja a tua próxima casa?

Adoro a área de biocatálise e infelizmente penso que não existe nenhum grupo em Portugal dedicado a biotransformações. Além disso o MIB é um centro de renome na área e não posso desperdiçar uma oportunidade de fazer um doutoramento aqui. Acho que o Reino Unido vai ter de me aturar mais uns anos!

– Uma mensagem a quem não tem coragem de ir de ERASMUS:

Atira-te de cabeça! Claro que não é fácil arranjar coragem, os medos são muitos e as certezas poucas. Mas será de certeza uma experiência inesquecível na qual vais aprender a interagir melhor com o mundo e simultaneamente aceitares o silêncio dos teus pensamentos. Pensa que um doutoramento ou um trabalho no estrangeiro são possibilidades bem reais! Por que não fazer uma “preview”?

– Uma mensagem a alguém especial de Aveiro:

Hum… é difícil tendo em conta que a pessoa mais especial está aqui pertinho, em Birmingham, mas deixo uma mensagem a todos os grandes amigos que tenho em Aveiro, de agradecimento pelo apoio e por me irem perguntando se ainda estou vivo aqui na ilha.

Vasco Batista