Químicos pelo Mundo – Ricardo Lopes (Finlândia)

Nome: Ricardo Lopes

Curso: Bioquímica

Ano: 3º ano

Local de ERASMUS: Kuopio, Finland

Universidade: University of Eastern Finland (Biomedicine)

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                – Qual foi a primeira foto que tiraste em ERASMUS?

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“Kuopio Food Festival 2015

              – Em que é que pensaste quando estavas no avião?

Uiii! Estava com uma curiosidade imensa, uma enorme vontade de chegar lá e ver como é que tudo era, ver o que ia acontecer e como iriam correr 4 meses fora de Portugal. Não ajudou o facto de ter todas aquelas dedicatórias no “Diário de Erasmus” que me deixaram, como é óbvio. Mas acho que nunca me senti com grande receio ou arrependimento. O importante é encarar que é uma coisa normal, que todos os outros estudantes Erasmus vão para lá viver a mesma aventura e, de facto, o grupo torna-se numa “pequena família” num instante, sem darmos conta.

                – Porque escolheste esse país? E essa cidade?

A cidade, como muitos sabem, nem sempre se pode escolher… E era suposto eu ir para outra cidade (Juoensuu) mas como a oferta de UC’s não ia ao encontro do que eu procurava, acabei por pedir para trocar e fui, felizmente, parar a Kuopio. Porquê a Finlândia? Não foi fácil, mas rapidamente se tornou uma escolha clara: um país que oferecesse um sistema educativo de referência, que pude agora comprovar. Queria também que fosse um país completamente diferente do nosso. Apesar de ser bom estarmos num país semelhante, porque “custa menos”, o verdadeiro desafio está em desafiarmo-nos… Passar de um Portugal quente para um Kuopio que vai aos -35ºC (sim, sobrevivi!), a nevar todo o santo dia, mas também com toda a diferença cultural, social, a mentalidade, os hábitos, etc. Foi um grande desafio, mas foi (está a ser) brutal… Estar num país tão diferente dá-nos a possibilidade de experimentar e descobrir imensas coisas novas, seja o tipo de teatro que aqui fazem, seja o Ice Hockey (e já torcemos pelo KalPa como se fosse a nossa equipa do coração) ou todas as outras atividades de inverno que não faltam por aqui, que já tive oportunidade de experimentar. Numas safo-me, noutras sou um desastre!

                – Do que sentes mais falta na tua nova universidade em comparação com o nosso DQ?

O clima social é sem dúvida um fator que me faz falta. Apesar de o grupo de Erasmus ser fantástico e termos uma dinâmica gigante entre todos, os Finlandeses são conhecidos por serem um pouco frios socialmente (apesar de se tornarem extrovertidos num ápice, depois de umas cervejas), e aqui faz-me falta estar só sentado no bar do DQ a falar de nada e a tomar um café… Por isso diria que me faz falta o bar do DQ. Em termos de instalações para estudo, recursos para os estudantes, laboratórios ou simplesmente salas de lazer e convívio, esta universidade está super bem preparada e bem equipada, e tem um dom natural para desafiar os estudantes que me surpreende, tem sido uma boa experiência.

                – Já provaste algum prato típico da cidade onde estás?

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É Finlândia, onde há mais renas do que habitantes… Naturalmente que uma “Elk soup” ou “Hambúrguer de rena” teve que fazer parte da minha ementa! E antes que digam “que horror, elas são tão fofas”, tenho a dizer, em minha defesa, que sabe mesmo muito bem. A gastronomia daqui não se compara em nada à nossa, outra coisa que me deixa saudades. Esta fotografia retrata um momento que passámos na Lapónia, super cómico para todos, quando entrámos numa cadeia FastFood (do estilo McDonalds) e era possível pedir um Menu Hambúrguer de Rena, que naturalmente todos pedimos.

                – Do que é que tens mais saudades de Aveiro?

Sol! Muito Sol durante grande parte do dia. E a comida portuguesa, ou da mãe que também é excelente… Naturalmente que amigos e família são sempre um ponto importante e deixam saudades, mas o desafio é precisamente partir para algures e estar longe de tudo e todos, por isso há que não pensar muito no que ficou em Aveiro e aproveitar bem o que tenho em Kuopio, que sei que também vai deixar saudade quando regressar às terras lusitanas!

              Algumas Fotos:

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Estes foram os parceiros da aventura do 1º semestre, os moradores da famosa “Juontotie 3 C14”

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Uma das atividades que realizámos este semestre. Diversão e Desafio foram palavras de ordem!

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Uma das viagens que fizemos durante o 1º semestre, à Estónia.

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Não temos praia e o sol é muito escasso, é verdade… Mas temos neve, que é bem confortável, é diferente, e proporciona vistas como esta (Isto que estamos a pisar é um lago gigante de Kuopio, que durante o inverno fica bastante diferente).

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Porque Erasmus também é estudar e trabalhar! (Na verdade esta foto representa mais uma pausa, mas pronto).

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Sim, é em vistas como esta que vivemos. Esta é uma floresta inserida em Neulamäkie, onde moro, e para onde fazemos caminhadas e desportos de inverno muitas vezes.

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É complicado representar em fotografias o que se vive em Erasmus, é sempre tudo muito intenso… Mas estas são algumas fotos de Janeiro de 2016.

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Uma das House Parties que fizemos, na minha casa, com o tema Harry Potter. Ainda hoje nos lembramos desta noite, foi a festa que mais gente reuniu (não estão todos na foto)!

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Só posso dizer que festas, jantares, viagens e milhentas outras atividades são algo bastante constante durante o período de Erasmus.

13Outra coisa bastante diferente aqui em Kuopio (Finlândia) é a tradição, quer em termos do país em si como da própria universidade. Esta fotografia é um exemplo… Em vez do formal traje de gabão ao ombro, aqui usa-se um simples “Overall”, que ao longo do tempo de estudos na UEF se vai preenchendo com emblemas, em qualquer lado, até ficar completamente coberto, ou o mais possível. Claro que 1 ano de estudos aqui não é suficiente, mas temos feito o nosso papel!

  – Uma mensagem a quem não tem coragem de ir de ERASMUS:

Vão! Go on the most amazing adventures! Fill your eyes with beautiful views, your mind with new ideas and your heart with a thousand of new friends…” Erasmus não é só estudar algures, ou apanhar bebedeiras num sítio que não seja a Praça do Peixe. Erasmus é uma experiência única, mas claro que não vai ao encontro do estilo de todos… É um semestre/ano em que somos desafiados a viver longe de tudo. Sem família, sem os colegas “normais”, num sítio diferente, onde por vezes nem a nossa língua materna podemos manter, como me aconteceu no 1º semestre, em que era o único português em Kuopio. Somos obrigados a conhecer gente nova, com quem partilhamos a mesma experiência. E no fim é o “não quero ir embora” quase garantido. Acho que todos deviam pensar um pouco sobre o que pode significar “Erasmus”… Mais do que um semestre em que aprendemos de forma diferente a Bioquímica, ou outra área, é uma oportunidade de crescermos, aprendermos com colegas dos quatro cantos do mundo, partilharmos ideias e momentos, e desfrutarmos imenso, porque somos jovens e também merecemos. Parem 2 minutos e pensem um pouco, porque Erasmus pode ser a viagem da vossa vida!

                – Uma mensagem a alguém especial de Aveiro:

A todos os cromos que eu adoro e que fizeram parte destes meus 2 grandes anos que foram a UA: primeiro “Obrigado” por tudo, por terem feito parte da minha etapa da UA, por termos partilhado tanta coisa, por nos termos divertido imenso… Segundo “desculpem”: Prolongar o Erasmus não estava planeado inicialmente e, uma vez acontecendo, coincide com o fim do nosso ciclo. Fico com pena de não estar em Aveiro este semestre, para mandar os últimos foguetes e passar bons momentos como sempre passámos. Mas sei que se estão a divertir todos, e vocês também sabem que por aqui está tudo a bombar! E depois em Junho falamos.

Ricardo Lopes